Experiência do batismo no Espírito Santo
Pentecostes inaugura um novo regime para a vida do homem em relação a Deus e aos irmãos: saímos do regime da lei e entramos no regime do Espírito. A experiência de Pentecostes constitui de certa forma, o parâmetro para a experiência que chamamos de batismo no Espírito Santo. Experiência narrada também em outros textos dos Atos dos Apóstolos e sempre acompanhada de manifestações de ordem carismáticas, como louvor, línguas, profecias (Atos 2,4; 10,46; 19,6).
O batismo no Espírito Santo é uma experiência definida (“como podem ver e ouvir” – Atos 2,33) que introduz a vida no Espírito, e que realiza em nós uma mudança permitindo que experimentemos Sua presença e operação em nós.
O que é, então, ser batizado no Espírito? Talvez a descrição mais clara seja dizer que no batismo no Espírito, o Espírito vem de um modo que a pessoa batizada o sabe. Como resultado desta vinda, ela experimenta um novo contato com Deus. Não só o Espírito vem à pessoa de um modo novo, mas opera nela uma mudança. A sua vida se torna diferente, porque o seu relacionamento com Deus se modificou. Deus está nela de uma maneira que não estava antes. Deus fez nela a sua morada de um modo novo, produzindo, muitas vezes, uma sensação de presença concreta de Jesus e de poder.
Este sentimento de presença concreta e de fato, corresponde à percepção da proximidade de Jesus como Senhor. Freqüentemente este sentimento de presença é acompanhado de uma consciência de poder, mais especificamente — o poder do Espírito Santo.
Aplica-se aqui o texto de Atos 1,8 que se refere ao Espírito Santo como experiência de força ou poder (Vulgata) e ainda no discurso na casa de Cornélio, Pedro se refere a esta experiência como unção do Espírito e de poder (cf At 10,38).
“Este poder é experimentado em relação direta com a missão. É um poder que se manifesta como uma fé corajosa (parresia), animada por um novo amor que nos torna capazes de empreender e de levar a cabo grandes coisas pelo Reino de Deus, muito acima das capacidades naturais” (Heribert Mühlen).
Uma experiência até emocional
A experiência religiosa não é fundamentalmente um ato da pessoa humana, é antes a ação de Deus no homem. Portanto não se refere originariamente à emoção ou à elevação emocional. Muitos não conhecendo a experiência que se faz na Renovação Carismática confundem a expressão de uma “experiência profundamente pessoal com um sentimentalismo superficial”.
A experiência da fé se apodera do homem por inteiro: corpo, inteligência, afetividade, emoções... A modernidade situou o encontro com Deus no nível de uma fé, concebida por muitos de uma forma puramente intelectual. A experiência da fé inclui as emoções. A tentativa de separar a razão das emoções, como se estas fossem sem valor, é reducionista. Experiência, no contexto desta reflexão, é a ação de Deus no homem e que produz também uma experiência emocional, por ser o homem também constituído de emoções.
Experiência definida
A experiência de fé, como a descrevemos aqui, verifica-se, muitas vezes, num tempo determinado, com data e local conhecidos. Heibet Mühlen (Fé cristã renovada) chama a esta experiência de “experiência de impacto ou de crise”. Embora a experiência da fé possa vir pelo crescimento, no qual a presença ativa do Espírito Santo recebido no batismo se torna consciente através de um processo de amadurecimento, sendo essa a experiência mais comum aos católicos romanos, para a qual contribuíram muitas “escolas de espiritualidade” e as catequeses a respeito do esforço pessoal e ascese.
Nós católicos romanos não temos familiaridade com a experiência de impacto ou de crise, embora seja ela conhecida. Apesar de ser uma via autêntica de encontro com Deus, deve-se reconhecer que existe aí uma possibilidade de ilusão.
Alguns têm medo de uma experiência que pode ser fortemente emocional, embora autêntica, devido aos elementos subjetivos que contém e a conseqüente possibilidade de auto-ilusão. É verdade que certa reserva é indicada em matéria de experiência religiosa. “Mas um ceticismo sistemático nesse domínio privaria a Igreja do aspecto experiencial de sua vida diária no Espírito, aliás, privaria a Igreja de toda a tradição mística. O temor à experiência religiosa não deve, pois, levar à rejeição do que faz parte integrante da vida plena da Igreja